Como dar nome à sua empresa: Vooozer ou Voozer, eis a questão

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Vooozer ou Voozer? Dar nome para empresa não é fácil. Além de ser um desafio, nomear algo ou alguém é, muitas vezes, uma arte. Criatividade, originalidade, clareza, orçamento, sonoridade e empatia são apenas alguns dos fatores que podem ser levados em consideração no processo de se criar um nome para uma empresa, marca, produto ou serviço.

Antes de você começar a ler, te faço uma sugestão: que tal ouvir esse artigo ao invés de ler? Basta apertar o play acima.

Eu gosto de escrever mais sobre experiências próprias. Então, vou contar como foi dar nome ao Vooozer. Espero que minhas dicas também sejam úteis para você no processo de se nomear algo.

Afinal de contas, o que você deve levar em consideração ao nomear empresas e produtos e por que chamamos Vooozer e não Voozer? Acompanhe e entenda.

Nome pra quem?

O primeiro nome não foi tarefa complexa. Para dar vazão ao nosso sonho e para termos um Norte inspirador, o Mateus (meu sócio) e eu sabíamos que um nome temporário já seria suficiente. Afinal, precisávamos apenas de um nome para usarmos internamente e para facilitar nossa comunicação. Em uma das primeiras conversas surgiu o “Daplay” (alusão a “dar play”, ou seja, apertar play e escutar um artigo online). Nós já podíamos nos comunicar mais facilmente, depositar nossas emoções em algo nosso e seguir com nosso projeto.

No processo de criar um nome para uma empresa, produto ou serviço, pergunte-se “para quem é esse nome?”. Quem vai usar esse nome? Quem irá pronunciá-lo? Nós, do Vooozer, já nascemos com sede de alcançar o mundo todo. Então, nos inspiramos em marcas como a Sony, cuja pronúncia não é tão afetada em diferentes idiomas. Por exemplo, um estrangeiro costuma ter dificuldade em pronunciar a marca Havaianas.

Também nos preocupamos bastante com a imagem e sensação que queríamos passar. Por nossos serviços se tratarem de algo inovador, queríamos um nome moderno que remetesse à tecnologia.

Em resumo: atente-se ao público que irá consumir, pronunciar e escrever o nome em questão. Não deixe de lado a mensagem ou sensação que você quer passar. Pense em detalhes como: facilidade de pronúncia, facilidade de escrita, similaridade com outras marcas, similaridade com palavras que já existem e a sonoridade. Tem nomes que simplesmente são gostosos de se falar ou de se ouvir. Ainda há aqueles que passam uma sensação específica.

Nome pra quê? Vooozer ou Voozer?

Quando eu chamei o Mateus para ser meu sócio no Vooozer, não existia Vooozer. Era “projeto”, “a ideia”, “startup” ou no máximo “plataforma de áudio”. Assim como um bebê que sequer tem um apelido antes de ter nome, com o nosso bebê, o Vooozer, não foi diferente.

Como eu disse, a necessidade de darmos um nome tinha motivos óbvios, como facilitar a comunicação e praticidade, mas a ansiedade também estava pesando. Afinal, o Vooozer é um marco na minha vida e na do Mateus. Com qualquer nome, nasce uma identidade, uma gaveta vazia pronta pra ser preenchida com memórias, emoções e sensações.

Sabíamos que, inevitavelmente, iríamos atrelar diversas emoções e memórias ao nome da nossa empresa. Percebemos que o mesmo aconteceria com nossos futuros usuários, clientes e o público geral. Nome é pra isso. É pra resumir tudo que você sabe e sente sobre algo.

E não é só pra isso. Existem cenários muito diferentes. A empresa será um produto, como o Tinder que é um aplicativo? A empresa terá vários produtos, como a Apple? A empresa terá um guarda-chuva de serviços similares, como o Uber? E como será sua aquisição de clientes? Como as pessoas ficarão sabendo que sua marca existe?

Nós sabíamos que muita gente seria exposta à nossa marca na internet. Então, nos preocupamos com como as pessoas pronunciariam nosso nome em suas mentes ou em conversas sem nunca terem ouvido ninguém falar nosso nome. Refletimos bastante sobre isso quando cogitamos o nome “Voozer”.

– Você já viu esse tal de Vózer?

– Vózer? Eu achei que se falasse Vôser.

– É Vooozer ou Voozer?

Queríamos que nosso nome fosse o nome para tudo. Nosso site, produto, plataforma e player. Imaginem o quanto a gente bateu cabeça até ficarmos satisfeitos com o resultado final.

Em resumo: faça uma lista de todos possíveis contextos em que o nome será usado. Em uma conversa, como pessoas que nunca ouviram sua marca a pronunciariam? Será que alguém ficaria com receio de pronunciá-lo errado? As pessoas irão procurar o nome da empresa na internet? Sua campanha de awareness será principalmente em áudio, vídeo ou texto? O nome será também o domínio da internet? Você pretende ter vários produtos ou serviços diferentes? Como você imagina que será o primeiro contato das pessoas com o nome?

 

Fatores decisivos

Dar nome ao nosso sonho é algo empolgante e muitos nomes possíveis parecem atraentes. Por isso, foi realmente difícil criar um nome que fosse aprovado em todos (ou na maioria) dos fatores decisivos. Até porque, para nós, não adiantaria se um nome fosse fácil de falar mas muito difícil de se escrever ou soletrar.

Mãos de uma mulher colando post-it no vidro do escritório.

Os fatores decisivos que eu listei são questões objetivas que, no geral, não estão no nosso controle. Eles podem ser fortes impeditivos na escolha de um nome.

Abaixo, listo fatores que podem acabar vetando a possibilidade de um nome para empresa. Tudo depende do quanto esse fator é decisivo para sua empresa ou projeto.

 

Presença online do nome para empresa

Domínio na internet – existe algum domínio disponível na internet para o nome? Seja .com, .com.br ou outro que você julgue adequado.

SEO – digite o nome proposto e suas variações em um sistema de busca como o Google. Quais são os primeiros resultados? São de um possível concorrente? Quase não há resultados? São resultados de sites relacionados ao seu mercado?

Facilidade de escrita – se uma pessoa falar para um amigo sobre a sua empresa, esse amigo saberá escrever o nome da sua empresa corretamente? Se for necessário soletrar, é rápido e fácil? Se a pessoa pesquisar o nome escrito errado em um sistema de busca como o Google, quais os resultados?

 

Questões legais

Geral – antes mesmo de falar com um advogado, pesquise na internet se já existe alguma empresa ou produto usando o nome que você deseja usar para o seu negócio. Principalmente se o seu negócio for online, ligado à tecnologia ou demande forte presença online, lembre-se de pesquisar pelos possíveis nomes nos principais sistemas de busca, nas lojas de aplicativos como App Store e Google Play, no YouTube e nas principais redes sociais.

Registro de marca – verifique com um advogado ou profissional da área a melhor maneira de descobrir se já existe alguma empresa ou produto usando o nome que você deseja usar. Pesquise na internet e em sites de outros países. Lembre-se de avaliar, com profissionais da área, a necessidade de você registrar o nome da sua empresa ou marca. Registros em nome de pessoa física podem sair por menos de 200 reais cada.

 

Orçamento

Terceirização – caso você contrate alguém ou alguma empresa para criar o nome do seu negócio ou marca, atente-se ao serviço contratado, como prazo, condições de pagamento e o que é incluído na contratação: consultoria, pesquisas, logomarca, manual de uso da marca e eventual registro nos órgãos devidos ou se apenas um nome. O combinado não sai caro.

Faça você mesmo – caso você opte por criar o nome sozinho, com seu sócio ou alguma equipe sua, atente-se a critérios objetivos. Não deixe que as discussões caiam muito na questão do “gosto não se discute”. Por mais que eu ache essa afirmação válida, o nome de uma empresa ou uma marca têm todas condições de ter um embasamento que o suporte, muito além da questão de gosto. Estime o esforço necessário e a demanda de horas de trabalho e avalie, pois fazer você mesmo não significa que vai sair de graça. Seu tempo e energia valem dinheiro.

Domínio – existe um amplo mercado, nacional e internacional, de compra e venda de domínios da internet. É bem possível que nenhuma empresa tenha registrado uma marca que você criou, mas alguém já tenha comprado os domínios .com ou .com.br para esse nome que você quer usar. No meu dia a dia, vejo muitos blogs que optaram por um domínio .com, porque o equivalente em .com.br já tinha dono. É importante diferenciar os casos onde outra pessoa realmente usa o domínio que você queria comprar, ou um domínio parecido, dos casos onde simplesmente uma pessoa ou empresa já comprou tal domínio, não o utiliza e está apenas tentando vendê-lo.

 

Conclusão e finalmentes

Deu pra ver que dar nome não é algo simples e, ao mesmo tempo, não precisa ser questão de gosto. Dá pra ter bastante embasamento na decisão, usar critérios objetivos e perguntas para te ajudar a chegar num nome ideal para o seu projeto.

O nosso querido Vooozer, por exemplo, podia ter se chamado Daplay, Voozer, Voicer, ListenUp, ListenApp ou Narr. Mas, como tínhamos algumas semanas para a decisão final, aproveitamos para dar tempo ao tempo, consultar familiares, pessoas do ramo e amigos. Às vezes passávamos alguns dias namorando mais fortemente uma certa opção, pra ver se a gente se acostumava com ela e o que sentíamos, pois eu acredito fortemente que nomes e emoções andam juntos.

Uma mão coloca a última peça em um quebra.

Nos finalmentes, ficamos bem felizes e satisfeitos com “Voozer”. Foi aí então que alguns fatores decisivos nos fizeram optar por Vooozer. Acontece que já existia uma empresa na Espanha que tinha usado “Voozer” no passado e até tinham uma página no Facebook, mesmo que abandonada.

Fora isso, quando fomos comprar o “voozer.com” ou outros domínios adequados, todos já custavam mais de 200 dólares ou já estavam nas mãos de pessoas que os compraram com o único intuito de vendê-los por preços mais caros. Como a limitação é a mãe da criatividade, começamos a namorar a opção com 3 “ós” e nos apaixonamos por “Vooozer”.

Uma coisa leva a outra, nossos familiares, pessoas do mercado e amigos gostaram, o domínio .com e .com.br estavam pelo preço de tabela (que costuma ser bem acessível) e não havia praticamente nenhuma menção na internet, YouTube, redes sociais ou lojas de aplicativos ao termo “Vooozer”.

Quer saber, acho que demos a maior sorte. Nosso logo com 3 “ós” ficou sensacional, na minha opinião, é claro, e acho que deu um toque de originalidade e ousadia. No mais, quando nos indagam sobre nossa marca, sempre respondemos “sabe como é, a letra “ó” estava em promoção, então compramos 3 de uma vez”.

Espero que minha experiência e esse artigo te ajudem no seu desafio de dar nome para empresa, marca, produto, projeto, serviço, blog ou o que for.

Se você tiver alguma dúvida, quiser concordar, discordar, acrescentar algo ou contar sua experiência, deixe um comentário. Será um prazer poder te ajudar mais e aprender com a sua experiência.

CEO e cofundador do Vooozer, é apaixonado por ideias, tecnologia, games, cervejas e pela Tuti. Sonha acordado e dormindo com essas coisas e vira e mexe tira algo do papel, esse texto é um exemplo.

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